quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Cap. 1 - Desejo Ѽ

Ѽ Eu só queria saber por que ele não parava de olhar para mim! Aquilo me irritava profundamente a mesma maneira que me despertava curiosidade. Era como se ele fosse capaz de ler todos os pensamentos que eu já tivera acerca de nós. Como se aqueles olhos pudessem penetrar meu âmago e ter acesso às cenas mais perversas sobre beijos quentes e apertões apaixonados trocados às escondidas.

Contudo as semanas passavam e nada mudava. Os olhares ficavam cada vez mais intensos e a incerteza dosada ao medo se apoderava de mim. E sentado, defronte à sua mesa distanciada no escritório, despertei novamente em um devaneio quase real. Onde eu podia sentir o calor emanando do seu corpo e seu hálito tão próximo que pude degustar.

Eram mágicos esses momentos quando chegavam. E tudo sempre começava da mesma forma. Um leve toque no rosto com suas macias mãos grossas. Mãos de homem! Não as de qualquer homem, mas suas mãos. Sempre começando pelo meu rosto enquanto aquele olhar castanho penetrante me perfurava roubando-me todo o ar e pensamentos. Amortecendo meus sentidos.

A verdade? Sempre gostei de homens com barba. Acho que deixa o sorriso oculto. E sim, um excelente comentário acerca de sorriso. O seu não era um comum, como se vê em novelas e filmes. Era um sorriso singular não tão perfeito, mas que se fazia assim justamente pelo fato de ser único.

Mas retornando ao ato, eu podia sentir a respiração tão próxima que dava para tocar sua pulsação através do doce hálito de hortelã. É claro que ele andava com um pacotinho de balas por perto para esse momento, porque, inconscientemente, ele sabia o meu sabor preferido. Até que finalmente me deixava sentir o sabor de seus lábios. Sua saliva recém refrescada misturando-se a minha. Tornando-se quente e luxuriosa.

E então as mãos começavam a explorar os corpos ainda cobertos pelas roupas de trabalho. Não haveria tempo para tirá-las naquele ambiente, porque a qualquer momento alguém poderia aparecer. E era o perigo que mais me excitava. Isso e o fato de sentir seu membro rijo comprimindo-se ao meu enquanto eu arfava e rompia as barreiras do desejo beijando seu pescoço. Mais uma parte que eu sempre gostei.
E embora sempre tenha venerado toda a masculinidade, nunca gostei muito de me sucumbir a ela. Prefiro feri-la e aproveitá-la. Não me deixar dominar, mas dominar homens tão bons quanto este em particular.

O beijo é o nosso único possível mesmo nesse meu mundo de sonhos, porque até nesse paralelo, existe o medo de sermos descobertos. E será que é por isso que não fala comigo? Tem medo que eu descubra algo tão íntimo seu ou que outros descubram? Não tens medo de me ignorar cada vez que cruzamos o corredor ou cada vez que tento deixar um sinal, mas porque continua me olhando?

Já não é suficiente ser torturado pelas minhas fantasias mais insanas enquanto relembro a cada segundo que jamais poderemos ser completos enquanto amantes? Agora tenho que ser torturado também pelo seu olhar traiçoeiro. Tenho que viver cada dia perguntando por que só me olhas, mas não toma atitudes. Se é medo, então digo que és covarde. Se é escárnio, então digo que sinto pena de ti por caçoar um pobre leproso sentimental como eu e permitir-me cultivar tantos devaneios importunos. Se é recíproco, então digo que está perdendo tempo deixando que eu me divirta sozinho com minhas alucinógenas e solitárias fantasias.

4 comentários:

FOXX disse...

o texto tá ótimo, mas toma cuidado com a pontuação na proxima vez.

KaroLoraK disse...

*-----------* GOSTEI

Arsênico disse...

Amei... o texto está incrível... por acaso o senhÖr andou besbilhotando meus pensamentos? Passei por uma situação parecida... e até hoje não sei se era escárnio... medo... ou covardia... acabei saindo do trabalho e o vejo raramente... com o mesmo olhar de sempre!!!

Quem sabe um dia néah?

***

umBeijo!

;D

Edu disse...

Bom,espero ficar sabendo de qualquer alteração porque acabo de chegar e querocontinuar acompanhando!